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Se algum leitor aqui vem em busca de uma linha temática coerente, que se desiluda. Não há unidade neste blog. Apenas a do estilo.
De resto, anarquia pura. Até no ritmo. Umas vezes apetece escrever aqui, outras não. Aceito a crítica de amigos que consideram o Voando sobre a realidade de chato. Porque tem interregnos de meses. Mas teremos todos que viver com isso.
Urinóis
Vamos com calma e nada de leituras preconceituosas.
A falta de dinheiro nunca foi impedimento de passeio. Lembro-me que, quando estudante, usávamos a boleia para passear por todo o país. De graça. Os primeiros ordenados não davam para grandes férias, mas isso não impediu périplos europeus onde o dinheiro era apenas utilizado para a gasolina, para portagens (poucas), para os museus e… para os parques de campismo.
Vem isto a propósito de uma experiência de há trinta anos, quando em França, ao final da tarde, entrámos num parque de campismo de uma cidadezinha de interior. Na recepção, depois do registo, perguntei pelo quarto de banho. Indicaram-me uma construção, ao fundo, entre o arvoredo. Só tinha uma porta, e dentro, portas vidradas e um intenso fumo de vapor não deixavam dúvidas. Entrei e dirigi-me aos urinóis. De um dos chuveiros vejo então sair, envolta numa toalha, exuberante, uma mulher jovem e bonita. Envolveram-me todas as vergonhas do mundo, desisti do intento, sussurrei desculpas e fugi dali. Voltei à recepção e, muito explicitamente, perguntei onde era o quarto de banho dos homens. Apontaram-me exactamente a mesma construção. Balbuciei, a medo, que aquele era o banheiro feminino. Recebi uma resposta complacente - naquele Parque de Campismo as instalações sanitárias eram mistas.
Há trinta anos, esta situação era para mim uma novidade absoluta, que aqui recordo porque a evolução da sociedade não apontou para a generalização da atitude. Antes pelo contrário. As instalações públicas continuam a ser separadas, não hà mistura dos sexos.
Reconheço que os quartos de banho femininos são, para mim, uma incógnita. Salvo aqueles que vislumbro nos filmes, não seria capaz de descrever o ambiente. Às vezes comentam comigo a falta de higiene, outras a falta de adereços. Mas, o que eu conheço bem, por satisfação fisiológica, são os quartos de banho masculinos. Os dos restaurantes, os dos cafés, os da autoestrada, os…
Presumo que a minha ignorância pelos WC femininos tenha correspondência no inverso. Por isso, algumas referências curiosas para leitoras mais atrevidas.
1. A limpeza. É evidente que os homens são muito menos cuidadosos com a higiene. Os responsáveis pelas instalações sabem disso. Portanto, são quase sempre imundas as instalações.
2. As portas dos reservados estão sempre cheias de inscrições. Transcrevê-las é inconveniente sem a bolinha ao canto do écran. E como são utilizados por homens, oferecem normalmente serviços de homens para homens. Com uma fixação em apelos a camionistas…
Algumas vezes encontram-se invectivas contra os fornecedores de serviços, ainda mais soezes do que as propostas originais. E os contactos de telemóvel são às dezenas.
3. Não há sítio que não esteja marcado pelas pontas de cigarro. Os autoclismos, os depósitos de sabão, os balcões lavatórios, os soalhos.
4. De resto, a oferta é muito variável. Desde os serviços mínimos ao requinte de algumas instalações. Mas fixemo-nos nos urinóis. Satisfazendo-se o homem de pé, surgem eles a meio da parede, com as formas mais arrebicadas. Há-os minimalistas, pequenos e afeitos a homens com pontaria. Há-os tipo vala comum e corridos, pondo a questão da intimidade. A intimidade, aliás, é condicionadora dos modelos. Uns têm resguardos enormes separando olhares indiscretos. Outros obrigam ao encosto da barriga e à colocação estratégica dos braços para impedir olhares voyeurs.
5. No fundo, os urinóis têm os objectos mais esquisitos. Quase sempre pontas de cigarro. Muitas vezes bolinhas de detergente. Geralmente redes plásticas. Uma vez, até, encontrei um que tinha rodelas de limão no fundo, estávamos no Brasil e a ecologia impunha-se…
A este ponto da escrita, admito eu que mais de metade dos leitores já desistiram. Fizeram bem. Mas para os poucos resistentes não deixarei de limpar esta péssima impressão a que me levou o devaneio. Há situações exemplares e que devem ser referidas.
Como o requinte de urinóis com tampa. Raros, infelizmente.
Ou o urinol instalado numa deliciosa parede de espelho, própria para narcisistas.
Mas o “must” encontrei-o há meses num hotel de Lisboa. No fundo do urinol, um impecável tapete verde de plástico. No meio do tapete, uma baliza branca, com uma minúscula bola pendurada. Enquanto estive no hotel, fartei-me de meter golos…
Se algum leitor aqui vem em busca de uma linha temática coerente, que se desiluda. Não há unidade neste blog. Apenas a do estilo.
De resto, anarquia pura. Até no ritmo. Umas vezes apetece escrever aqui, outras não. Aceito a crítica de amigos que consideram o Voando sobre a realidade de chato. Porque tem interregnos de meses. Mas teremos todos que viver com isso.
Urinóis
Vamos com calma e nada de leituras preconceituosas.
A falta de dinheiro nunca foi impedimento de passeio. Lembro-me que, quando estudante, usávamos a boleia para passear por todo o país. De graça. Os primeiros ordenados não davam para grandes férias, mas isso não impediu périplos europeus onde o dinheiro era apenas utilizado para a gasolina, para portagens (poucas), para os museus e… para os parques de campismo.
Vem isto a propósito de uma experiência de há trinta anos, quando em França, ao final da tarde, entrámos num parque de campismo de uma cidadezinha de interior. Na recepção, depois do registo, perguntei pelo quarto de banho. Indicaram-me uma construção, ao fundo, entre o arvoredo. Só tinha uma porta, e dentro, portas vidradas e um intenso fumo de vapor não deixavam dúvidas. Entrei e dirigi-me aos urinóis. De um dos chuveiros vejo então sair, envolta numa toalha, exuberante, uma mulher jovem e bonita. Envolveram-me todas as vergonhas do mundo, desisti do intento, sussurrei desculpas e fugi dali. Voltei à recepção e, muito explicitamente, perguntei onde era o quarto de banho dos homens. Apontaram-me exactamente a mesma construção. Balbuciei, a medo, que aquele era o banheiro feminino. Recebi uma resposta complacente - naquele Parque de Campismo as instalações sanitárias eram mistas.
Há trinta anos, esta situação era para mim uma novidade absoluta, que aqui recordo porque a evolução da sociedade não apontou para a generalização da atitude. Antes pelo contrário. As instalações públicas continuam a ser separadas, não hà mistura dos sexos.
Reconheço que os quartos de banho femininos são, para mim, uma incógnita. Salvo aqueles que vislumbro nos filmes, não seria capaz de descrever o ambiente. Às vezes comentam comigo a falta de higiene, outras a falta de adereços. Mas, o que eu conheço bem, por satisfação fisiológica, são os quartos de banho masculinos. Os dos restaurantes, os dos cafés, os da autoestrada, os…
Presumo que a minha ignorância pelos WC femininos tenha correspondência no inverso. Por isso, algumas referências curiosas para leitoras mais atrevidas.
1. A limpeza. É evidente que os homens são muito menos cuidadosos com a higiene. Os responsáveis pelas instalações sabem disso. Portanto, são quase sempre imundas as instalações.
2. As portas dos reservados estão sempre cheias de inscrições. Transcrevê-las é inconveniente sem a bolinha ao canto do écran. E como são utilizados por homens, oferecem normalmente serviços de homens para homens. Com uma fixação em apelos a camionistas…
Algumas vezes encontram-se invectivas contra os fornecedores de serviços, ainda mais soezes do que as propostas originais. E os contactos de telemóvel são às dezenas.
3. Não há sítio que não esteja marcado pelas pontas de cigarro. Os autoclismos, os depósitos de sabão, os balcões lavatórios, os soalhos.
4. De resto, a oferta é muito variável. Desde os serviços mínimos ao requinte de algumas instalações. Mas fixemo-nos nos urinóis. Satisfazendo-se o homem de pé, surgem eles a meio da parede, com as formas mais arrebicadas. Há-os minimalistas, pequenos e afeitos a homens com pontaria. Há-os tipo vala comum e corridos, pondo a questão da intimidade. A intimidade, aliás, é condicionadora dos modelos. Uns têm resguardos enormes separando olhares indiscretos. Outros obrigam ao encosto da barriga e à colocação estratégica dos braços para impedir olhares voyeurs.
5. No fundo, os urinóis têm os objectos mais esquisitos. Quase sempre pontas de cigarro. Muitas vezes bolinhas de detergente. Geralmente redes plásticas. Uma vez, até, encontrei um que tinha rodelas de limão no fundo, estávamos no Brasil e a ecologia impunha-se…
A este ponto da escrita, admito eu que mais de metade dos leitores já desistiram. Fizeram bem. Mas para os poucos resistentes não deixarei de limpar esta péssima impressão a que me levou o devaneio. Há situações exemplares e que devem ser referidas.
Como o requinte de urinóis com tampa. Raros, infelizmente.
Ou o urinol instalado numa deliciosa parede de espelho, própria para narcisistas.
Mas o “must” encontrei-o há meses num hotel de Lisboa. No fundo do urinol, um impecável tapete verde de plástico. No meio do tapete, uma baliza branca, com uma minúscula bola pendurada. Enquanto estive no hotel, fartei-me de meter golos…

1 Comments:
Blair é único que tem uma ideia para a Europa. Não sei se a Europa gosta da ideia, eu pessoalmente concordo com ela, Blair continua a querer uma Europa solidária, mas virada para o futuro. A Europa dos franceses caminha para o abismo e dificilmente chegará a lado algum.
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Anónimo, at 8:32 AM
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