Brasil / Fortaleza / 2005 / Dia 1
Hoje é feriado no Brasil. Dia de Nossa Senhora da Aparecida e Dia da Criança segundo me informou o motorista de táxi, seu Juarez, cearense de gema ao volante do seu VW a gás natural. Nos cruzamentos, bandos de crianças abeiram-se dos carros, de mão estendida. Juarez faz-lhes uma pequena festa na cabeça, sem mais, enquanto eles se afastam pressurosos.
Seu Juarez conduz-nos ao centro de Congressos do Ceará, onde terá lugar a ExpoBrasil de Desenvolvimento Local. Parados num cruzamento, temos defronte de nós um imenso arranha-céus abandonado, estrutura toda em tijolo, assustador cadáver urbano. O motorista explica – “aqui no Brasil empreiteiro vai construindo, vendendo apartamento e gastando o dinheiro. Quando já não há mais abandona a obra e o prejuízo fica para os que pagaram os apartamentos”. Afinal um fenómeno universal, talvez aqui mais frequente. E os cadáveres imponentes são visíveis em Fortaleza. E mostram a péssima construção que por aqui se faz.
Com o semáforo aberto, o carro avança. De repente, o impacto e o choque. O carro que vem atrás acaba de bater no táxi. Aguarda-nos longa demora, é o que de imediato imaginamos. Seu Juarez sai do carro e vê os estragos. O condutor que bateu, num jeep robusto, começa +por dizer que não bateu. E de facto, o carro não apresenta uma beliscadura. Mas o táxi tem uma óptica partida e o para-choques amolgado. A conversa corre mais por silêncios do que por altercações. Vê-se o desagrado do culpado e a trentativa de se ver livre da questão, o mais depressa possível. Invoca argumentos: você travou de repente, eu respeitei a distância regulamentar, eu não bati. Mas a evidência é outra. Seu Juarez aponta a matrícula da viatura que lhe bateu. E, pelos vistos a identidade do condutor e a residência.
Grita alto: “patrão, vamos embora”. Pergunto-lhe – como se resolve uma questão destas no Brasil? Há seguro?
A resposta é clara. “Não, mais de 90% dos carros circulam sem seguro. A gente compra carro e depois fica sem dinheiro para pagar o seguro.” Então como vai resolver o assunto? “A gente resolve isto na base da conversa. Quando for a casa dele, se ele não aceitar pagar o prejuízo, então eu volto um dia e ponho o meu carro à frente dele e obrigo ele a bater-me. Ele vai acabar por pagar.” A justiça por mãos próprias.
Hoje é feriado no Brasil. Dia de Nossa Senhora da Aparecida e Dia da Criança segundo me informou o motorista de táxi, seu Juarez, cearense de gema ao volante do seu VW a gás natural. Nos cruzamentos, bandos de crianças abeiram-se dos carros, de mão estendida. Juarez faz-lhes uma pequena festa na cabeça, sem mais, enquanto eles se afastam pressurosos.
Seu Juarez conduz-nos ao centro de Congressos do Ceará, onde terá lugar a ExpoBrasil de Desenvolvimento Local. Parados num cruzamento, temos defronte de nós um imenso arranha-céus abandonado, estrutura toda em tijolo, assustador cadáver urbano. O motorista explica – “aqui no Brasil empreiteiro vai construindo, vendendo apartamento e gastando o dinheiro. Quando já não há mais abandona a obra e o prejuízo fica para os que pagaram os apartamentos”. Afinal um fenómeno universal, talvez aqui mais frequente. E os cadáveres imponentes são visíveis em Fortaleza. E mostram a péssima construção que por aqui se faz.
Com o semáforo aberto, o carro avança. De repente, o impacto e o choque. O carro que vem atrás acaba de bater no táxi. Aguarda-nos longa demora, é o que de imediato imaginamos. Seu Juarez sai do carro e vê os estragos. O condutor que bateu, num jeep robusto, começa +por dizer que não bateu. E de facto, o carro não apresenta uma beliscadura. Mas o táxi tem uma óptica partida e o para-choques amolgado. A conversa corre mais por silêncios do que por altercações. Vê-se o desagrado do culpado e a trentativa de se ver livre da questão, o mais depressa possível. Invoca argumentos: você travou de repente, eu respeitei a distância regulamentar, eu não bati. Mas a evidência é outra. Seu Juarez aponta a matrícula da viatura que lhe bateu. E, pelos vistos a identidade do condutor e a residência.
Grita alto: “patrão, vamos embora”. Pergunto-lhe – como se resolve uma questão destas no Brasil? Há seguro?
A resposta é clara. “Não, mais de 90% dos carros circulam sem seguro. A gente compra carro e depois fica sem dinheiro para pagar o seguro.” Então como vai resolver o assunto? “A gente resolve isto na base da conversa. Quando for a casa dele, se ele não aceitar pagar o prejuízo, então eu volto um dia e ponho o meu carro à frente dele e obrigo ele a bater-me. Ele vai acabar por pagar.” A justiça por mãos próprias.

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